passeio
10 de julho de 2019 Última atualização: 13:24
Por Reginaldo Pupo
Foto: Luciano Vieira


De uma ponta a outra, São Sebastião tem 107km lineares de extensão e é conhecida entre os turistas como “Chile”, devido à semelhança com as características geográficas e também extensas daquele país. A cidade oferece uma série de opções para quem pretende curtir o inverno neste extenso paraíso. Como ponto inicial, o indicado é o centro histórico compreendido por sete quarteirões, cujas construções são tombadas pelo Patrimônio Histórico.


Circular pelas estreitas ruas é como voltar no tempo, pois muitos dos casarões, alguns datados dos séculos XVII e XVIII, ainda conservam suas características originais. À época, as técnicas de construção consistiam em acrescentar óleo de baleia, conchinhas e areia da praia, misturados aos tijolos, lajotas ou pedras de mão.


É possível conhecer o centro histórico a pé, a partir da avenida Dr. Altino Arantes, mais conhecida como Rua da Praia. Além da Igreja Matriz, originalmente construída no século XII, chamam a atenção a Casa Esperança, a antiga Casa de Câmara e Cadeia, o prédio que abriga a atual sede da Secretaria de Cultura e Turismo, o sobrado do antigo Hotel Praia e, um pouco adiante, a Capela de São Gonçalo, que abriga o Museu de Arte Sacra (aberto de terça-feira a sábado, das 14h às 18h – entrada gratuita).

 

Foto: Luciano Vieira

A Rua da Praia concentra lojas de artesanato, barzinhos (alguns deles com música ao vivo), restaurantes, pizzarias e cafeterias. Aos finais de semana e, principalmente nas férias, a região fica bem movimentada, pois é o lugar preferido dos visitantes que apreciam uma boa gastronomia à beira-mar ou que gostam de beliscar petiscos, jogando conversa fora com a família ou amigos. É nela que ficam as famosas e originais sorveterias Rocha e Rochinha e onde são realizados shows populares e eventos, como o Festival de Jazz de São Sebastião, que, este ano, ocorrerá de 16 a 18 de agosto.

 

Exposição Alcatrazes

Aproveite o passeio para prestigiar a exposição Redescobrindo Alcatrazes, realizada pela Sociedade de Defesa do Litoral Brasileiro (SDLB) e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação de Biodiversidade (ICMBio), com apoio da prefeitura de São Sebastião. A exposição acontece até o próximo dia 5 de agosto e o espaço possui uma coleção de fotos de Alcatrazes cedidas pelo projeto Alcatrazes, além de livros, vídeos, folderes com orientações sobre a visitação e uma maquete do arquipélago.

Foto: Rafael Mingone

 

O objetivo é divulgar essa beleza natural e valorizar o turismo e a biodiversidade do município. Recentemente, o Arquipélago dos Alcatrazes foi aberto ao turismo náutico e turistas interessados em realizar mergulhos no local podem procurar operadoras credenciadas pelo ICMBio. A exposição é aberta ao público e pode ser visitada das 14h às 18h, no Centro de Informações Turísticas (CIT), na Rua da Praia.

 

Tradições caiçaras

 O bairro São Francisco, a sete quilômetros do centro de São Sebastião, tem um trecho que parece ter parado no tempo. Ele ainda conserva algumas tradições caiçaras e, a exemplo do centro histórico, também possui algumas casas cujos proprietários mantiveram as construções originais.


A rua Martins do Val é a parte histórica do bairro. Nela fica o convento franciscano Nossa Senhora do Amparo, de frente para o mar, a construção mais antiga de São Sebastião, erguido a pedido dos moradores que desejavam que construíssem ali um convento. Foi erguido com taipa de pilão e também pedra e alvenaria de tijolo. Em meados de 1668, próximo ao final da construção, foi celebrada a primeira festa de Nossa Senhora do Amparo. Hoje, o convento é um dos cartões postais da cidade.

Foto: Reginaldo Pupo


A enseada que margeia o bairro é repleta de barcos de pesca tradicional, deixando o mar coberto por gaivotas e atobás, em busca de pescados fresquinhos, que chegam aos ranchos de pesca quase diariamente ou no entreposto de pesca, que vende os pescados a baixo custo. Anualmente, no início do mês de junho, os pescadores realizam o seu Festival do Camarão.

Duas praças de frente para o mar tornam o ambiente bucólico. Ler, meditar ou ouvir música debaixo dos frondosos chapéus-de-sol é um convite para um descanso ou para momentos de relaxamento ou reflexão. A rua também possui dois restaurantes, um café e um bar.

Foto: Pedro Rezende/Arquivo JCN


O atelier Cerâmicas do São Francisco, no qual são produzidas as tradicionais panelas de barro, atividade iniciada no século XVIII, é outro tesouro. A cerâmica utilitária no bairro vem sendo produzida desde a época dos indígenas, quando eles ocupavam a região. Com a vinda dos colonizadores em meados de 1500, os índios foram capturados e feitos escravos juntamente com escravos vindos da África. Do intercâmbio entre as culturas resultou técnicas de produção mesclada das panelas: acordelamento para a subida de paredes (indígena), inscrições e formas (africanas), orelhas e fundo plano (europeus).

 

Sítio Arqueológico

Cerca de 200 metros acima do nível do mar, uma incrível descoberta complementa a rica área do Sítio Arqueológico, localizado em 1991, no bairro São Francisco. A área conta com um complexo de senzalas e estradas originais que davam acesso a essas construções, datadas do final do século XVIII e início do século XIX.

Foto: Reginaldo Pupo


Em toda a área, fronteiriça com o Parque Estadual da Serra do Mar, há vestígios de cursos d´água, pontes, resquícios de cerâmica, telhas, fornos e muitos alicerces de construções, que impressionam pela técnica usada. As pedras eram apenas encaixadas entre si, sem necessidade de nenhum material, como argamassa, para fixá-las umas às outras.

A área começa na beira da rodovia Rio-Santos até atingir 200 metros de altitude. Na subida, foram identificadas estradas que se cruzam perpendicularmente. Elas eram utilizadas para o escoamento da produção de cerâmicas produzidas por escravos.

Algumas estradas originais existem até hoje e terminam em um local a partir do qual  se tem uma visão do canal de São Sebastião, usado como ponto de vigilância. Ali se fazia o controle de chegada e saída de navios. A água era abastecida por canaletas. No caminho, ruínas denunciam a existência de unidades habitacionais para escravos.

As paredes eram de pedras e havia fragmentos de potes de cerâmica e fornos. Os pesquisadores identificaram também muitas pontes construídas com rochas. O material está intacto e será catalogado, identificado e enviado ao laboratório da Secretaria de Cultura e Turismo da cidade.

Informações sobre visitação com a Secretaria de Turismo de São Sebastião, fone (12) 3892 2620.

Outro interessante espaço do bairro, inaugurado em setembro do ano passado, o Museu do Bairro São Francisco, tem resgatado memórias e saberes caiçaras. As peças expostas enaltecem aqueles que contribuíram e ainda contribuem para sua identidade cultural, além de valorizar e salvaguardar a cultura material e imaterial do bairro.

O Museu do Bairro de São Francisco fica na rua Martins do Val, nº 81, bairro São Francisco, em frente ao Centro Cultural Batuíra. Com entrada gratuita, o espaço fica aberto ao público de segunda-feira a sábado, das 9h às 18 horas, acolhendo sempre exposições que tenham como protagonistas o bairro de São Francisco e seus moradores.

 

Incursão pela “Amazônia” do rio Sahy

Mesmo com as temperaturas baixas, é possível fazer diversos passeios em São Sebastião. Um deles permite ao visitante um passeio de barco revigorante, em contato com a natureza, observando a fauna e a flora de uma das poucas regiões de Mata Atlântica preservadas do país. O passeio ecológico passa por um trecho da Área de Proteção Ambiental (APA) Baleia/Sahy, na costa sul, região rica em ecossistemas como manguezal, floresta de restinga e área paludosa, e com diversos animais como crustáceos, peixes, aves e mamíferos – algumas espécies com risco de extinção. Os barcos adentram o rio Sahy e o cenário é semelhante aos rios que cruzam a Amazônia.

Foto: Reginaldo Pupo


O passeio agrega valor ao turismo ecológico com a geração de emprego e renda aos barqueiros da região das praias da Baleia e Barra do Sahy. Entre os roteiros disponíveis, estão passeios de barco pelas áreas navegáveis da APA Baleia Sahy, observando a fauna e flora nos diversos ambientes; e o passeio para as Ilhas, pelo qual o turista encontrará duas praias paradisíacas, com águas cristalinas.

Após conhecer as duas praias, o turista escolhe uma delas para aproveitar durante algumas horas. Nesse caso, é possível levar cadeiras, guarda-sol e cooler – nos finais de semana, existem barracas nas duas praias que servem bebidas e comidas como peixes grelhados, petiscos de camarão, água de coco gelada, entre outras bebidas.

Também é possível fazer um passeio de caiaque ou uma remada ecológica com stand up paddle (SUP) pelo rio Sahy, até a praia da Barra do Sahy. Para contratar os passeios, basta localizar os barqueiros que ficam às margens do rio Sahy, no canto esquerdo da praia de Barra do Sahy.

 

 

 

 

 

 

 

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