passeio
10 de julho de 2019 Última atualização: 11:42
Por Reginaldo Pupo
Foto: Sectur Ilhabela

Um pedacinho de terra, literalmente, vem encantando cada vez mais os turistas que buscam aventura, diversão, boa gastronomia, bem-estar, praias belíssimas e uma verdadeira imersão na natureza, o arquipélago de Ilhabela, no litoral norte de São Paulo.


Ilhabela oferece, principalmente, atrativos ligados diretamente à natureza, como mergulho, birdwachting, esportes náuticos, trilhas no Parque Estadual da Serra do Mar, cachoeiras e, claro, suas praias límpidas com águas cristalinas. São atrativos para todas as idades. Para conhecer, explorar e vivenciar tudo o que Ilhabela oferece, reserve ao menos uma semana, para não deixar escapar nenhum passeio. E o inverno é a estação mais propícia para se jogar de corpo e alma, pois é possível até mesmo tomar banho de sol durante o dia e curtir o friozinho típico da estação à noite.


O amanhecer e o entardecer são um convite para boas fotos de recordações deste lugar apaixonante, já que, nessa época do ano, o verde fica ainda mais intenso e o céu apresenta uma coloração mais azulada, transformando as fotos em verdadeiros cartões postais. Delicie-se no final da tarde, após o pôr do sol, com o céu multicolorido, em tons alaranjados, rosados, e azulados.


Com a câmera ou o celular na mão, no primeiro dia, faça um passeio pela Vila, termo  carinhoso pelo qual o centro da cidade ainda é chamado pelos moradores, desde quando os colonizadores a batizaram como Vila Bela da Princesa, em 1805, ano em que a então Ilha de São Sebastião emancipou-se da Vila de São Sebastião. O nome Ilhabela foi definido por decreto somente 139 anos depois, em 1944, após ter sido batizada por vários outros nomes.

Foto: Reginaldo Pupo


A Vila é um dos redutos turísticos de Ilhabela, por concentrar a maioria dos bares, restaurantes, cafés, lojinhas de artesanato, sorveterias, pizzarias e lojas de grifes famosas. Lá são realizados os principais eventos, como shows, festivais gastronômicos e manifestações culturais. É também onde aportam os gigantescos navios de cruzeiros, por possuir uma das melhores estruturas de embarque e desembarque de passageiros do país.

Foto: Reginaldo Pupo


No mês de julho, é possível acompanhar o vai e vem dos veleiros que competem na Semana Internacional de Vela, no canal de São Sebastião. Neste ano, o evento será de 13 a 20 de julho e reunirá os maiores velejadores do país, alguns deles medalhistas olímpicos. No primeiro dia de competição, a largada será realizada em frente ao píer da Vila. É uma excelente oportunidade para assistir de pertinho os veleiros colorindo o canal de São Sebastião. As competições seguintes serão disputadas no norte da ilha, um pouco mais distante.


Ainda na Vila, vale a pena visitar o prédio que abriga a Secretaria Municipal de Cultura. Nele há exposições de artesões locais, que produzem seus trabalhos com matéria-prima da região. São quadros, barquinhos de madeira, porta-joias, abajures, porta-retratos, tecidos pintados com diversas técnicas, entre grande variedade de trabalhos. Muitos dos produtos reproduzem paisagens de Ilhabela, como praias, cachoeiras e sua mata nativa; uma ótima pedida para levar de recordação.

 

Belezas naturais de Castelhanos

Depois de uma programação bem light no primeiro dia, reserve os demais para explorar o lado aventureiro de Ilhabela. Um dos passeios mais procurados é para a praia de Castelhanos, à leste do arquipélago, voltada para o mar aberto.

Foto: Efraín Dávila/Sectur Ilhabela


A aventura já começa antes mesmo de chegar à praia, pois o acesso é feito por uma estrada de terra de 22km de extensão, por meio de jipes 4x4. Durante o trajeto, o turista tem contato direto com a natureza. O jipe passa por quedas d´água e estaciona num mirante, do qual se avista parte da praia. Durante o trajeto, o encanto maior são os pássaros. Uma dica excelente para os amantes do birdwachting.


Diversos receptivos turísticos de Ilhabela realizam este roteiro. Os valores variam entre R$ 90,00 a R$ 120,00 por pessoa, de acordo com as operadoras. A saída costuma ocorrer às 11h e o retorno, já do lado do continente, por volta das 17h30. A maioria das empresas acrescenta no pacote uma visita à Cachoeira do Gato. Para isso, é preciso pegar uma trilha de cerca de dois quilômetros de extensão, no canto esquerdo da praia, e caminhar por cerca de 40 minutos a uma hora.  Reza a lenda, nunca comprovada, de que Ilhabela possui 365 cachoeiras, pelas quais seria possível visitar uma a uma, o ano inteiro, sem repeti-las.


No caminho, passa-se por pontes sobre lindos riachos, que servem de refresco nos dias mais quentes, além de muita Mata Atlântica, cuja flora nativa, extremamente diversificada, é composta por ipê, pau-d’alho, araçarana e  araticum-paná, entre os mais comuns. Essa última espécie produz frutos que atraem uma borboleta azul denominada panapanã, além de aves como surucuá, tié-sangue, tangará e o caramujo nativo aruá. Após a caminhada, o esforço logo é recompensando, quando nos deparamos com a queda de cerca de 40 metros de altura. Um espetáculo da natureza.

Meca do mergulho

Poucos destinos turísticos no Brasil oferecem tantas opções de mergulho como o arquipélago de Ilhabela. O paraíso dos mergulhadores oferece excelentes condições, por estar situado no canal de São Sebastião, cujas águas tranquilas proporcionam um mergulho mais seguro.

Foto: Reginaldo Pupo


A ilha das Cabras é a preferida por nove entre dez mergulhadores. Além de apresentar  um cenário de tirar o fôlego, o lugar é uma verdadeira “piscina”, de tão calmas são suas águas. De fácil acesso, está a menos de 2km da balsa, sentido sul.


Debaixo do mar, cabos submarinos servem como guia para quem vai mergulhar por ali pela primeira vez. O máximo de profundidade é de oito metros, sendo possível mergulhar com equipamentos básicos, como nadadeiras, máscara e snorkel. Mas quem prefere um mergulho mais profissional, digamos assim, convém contratar uma agência especializada em mergulho. A Colonial Diver, mais tradicional da ilha, está situada bem em frente à ilha das Cabras.


A operadora aluga o equipamento necessário: roupas de neoprene, cintos de lastro, garrafas de oxigênio, máscaras, entre outros apetrechos. Um mergulhador profissional faz o acompanhamento, desde as primeiras instruções em terra. No fundo do mar, o profissional acompanha o turista lado a lado durante todo o tempo. Afinal, a regra número um do mergulho é nunca mergulhar sozinho.


Após superar a ansiedade e o medo (para os mergulhadores de primeira viagem), o jeito é respirar fundo e vagorosamente, para poder curtir outro mundo, completamente diferente daquele a que estamos habituados.


Por estar inserida em um Santuário Ecológico Marinho, a ilha das Cabras é repleta de vida marinha. É possível observar uma diversidade de espécies de peixes, desde os  pequeninos, até os maiores, que vivem em tocas. Impossível não se lembrar do desenho Procurando Nemo, ao se deparar com os vários peixinhos coloridos, que vêm até você para dar as boas-vindas. Com sorte, tartarugas também podem ser avistadas.

Contemplar, mergulhar, velejar e caminhar

Ilhabela tem mais de 40 praias (fora as existentes em pequenas ilhas) para todos os gostos, distribuídas por toda sua extensão. As mais procuradas são as localizadas em frente ao canal de São Sebastião, entre o norte e o sul, devido à possibilidade de se chegar de carro ou ônibus. Em algumas, porém, só é possível chegar por barco ou por meio de trilhas, como a praia do Bonete, a leste da ilha, já de frente para o mar aberto.


Ao sul, as mais procuradas são ilha das Cabras, Oscar, Portinho, Praia Grande, Julião, Feiticeira e Curral. Já na região central, as mais badaladas são Perequê, Itaquanduba, Itaguaçu, Saco da Capela e Vila. Essas praias da região central são dotadas de ciclovia e de pista para jogging. Perfeitas para caminhar à beira-mar e respirar ar puro.


Já as localizadas ao norte, onde os ventos são mais constantes, são procuradas pelos amantes dos esportes náuticos a vela, como a Armação, Pedra do Sino, Jabaquara e Siriúba. Uma das praias acessíveis apenas por barco é a da Fome; tem águas tranquilas e é famosa pelas condições ideais para a prática de mergulho. Com areias claras, águas transparentes e árvores que garantem sombra para os visitantes.


No cenário do entorno despontam algumas casas de pescadores, que costumam deixar seus barcos atracados à beira-mar. Um grande casarão histórico destaca-se; é um importante exemplar do patrimônio edificado de Ilhabela, que guarda, em suas paredes de pedra e cal e janelas e portas de folhas cegas, parte da história da ilha de São Sebastião.


Bonete

Outra praia possível de acessar por barco é a famosa praia do Bonete, habitada pela maior comunidade caiçara de Ilhabela, que preserva a riqueza de sua cultura tradicional. Localizada na face sul da ilha, de frente para mar aberto, possui praia de areias claras e mar agitado; ainda mantém características selvagens, que atraem os amantes do ecoturismo, surfe, ou apenas quem quer se desconectar do mundo moderno e curtir momentos únicos no paraíso.


Sua orla de mais de 600m de extensão é rodeada por árvores chapéu-de-sol e, no mar, as ondas de até 3m formadas pelo vento sul, fazem a alegria dos surfistas, entre eles Gabriel Medina, natural de Maresias, São Sebastião, que adora pegar ondas no Bonete. Na praia do Bonete, há cachoeiras, trilhas,  peixe frito na beira da praia; também vale  apenas curtir o final de tarde.


O acesso, não tão fácil, pode ser feito por mar a bordo das tradicionais canoas “boneteiras” ou lanchas de passeio – diversas agências de turismo oferecem roteiros para o local. Mas o jeito preferido de chegar a ela é pela trilha de 12km pelo Parque Estadual de Ilhabela; Ele começa na Ponta da Sepituba, no extremo sul da ilha, onde termina a estrada de asfalto, e leva os aventureiros por uma caminhada de três a seis horas até a praia. Por se tratar de uma trilha longa, é recomendável o acompanhamento de guias ou monitores ambientais.

Gastronomia internacional ou caiçara?

Depois de tanta aventura, chegou um dos momentos mais desejados pelos visitantes. Degustar a excelente gastronomia de Ilhabela, composta por restaurantes de nível internacional e, também, outros mais simples, que oferecem pratos típicos caiçaras.

Foto: Reginaldo Pupo


O roteiro gastronômico situa-se entre a praia do Perequê e a Vila, um percurso de aproximadamente quatro quilômetros. Há restaurantes italianos, portugueses, alemães, árabes, japoneses e até tailandeses, com gastronomia contemporânea, além de diversas pizzarias. Mas quiosques à beira-mar oferecem pratos mais simples, como arroz, feijão, peixe frito e salada. Para complementar, depois de um bom almoço ou jantar, visite as sorveterias, cafés, docerias e lanchonetes existentes por toda a ilha.


A rica gastronomia da cidade motiva a realização de diversos festivais gastronômicos, entre eles o festival da tainha e o da sardinha. O mais tradicional é o Festival do Camarão, que entrará em sua 24ª edição e realiza-se em todos os meses de agosto. Ele movimenta parte dos restaurantes, que criam pratos exclusivos para o evento. Na Vila, diversas tendas erguidas por estes restaurantes vendem todo tipo de comida de boteco, contendo camarão, claro. Além de poder experimentar as gostosuras com essa iguaria, o festival traz chefs de cozinha que preparam alguns pratos na presença do público.

São eles que farão suas experiências inesquecíveis. Errar na escolha de um produto ou serviço pode prejudicar qualquer experiência. Nossos parceiros lhe garantirão momentos ímpares.